quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SEIS JULGAMENTOS FAJUTOS


SEIS JULGAMENTOS FAJUTOS
Logo depois de ser preso, Jesus é encaminhado a uma série de julgamentos forjados. Possivelmente algemado, os soldados da guarda judaica O levam a presença de Anás, o sogro do sumo sacerdote Caifás – um cargo religioso cujo grau era considerado o mais elevado entre os israelitas. Para eles, era o representante de Deus na terra.
Algumas pessoas questionam esse fato. Afinal, por que os soldados levaram Jesus primeiramente a Anás, se era Caifás o sumo sacerdote no poder?
Paul Maier, professor de História Antiga da Western Michigan University e autor do livro Jesus, Verdade ou Mito?, responde a essa indagação: “Anás era o detentor do maior recorde de todos os tempos em matéria de nepotismo. Fez cinco de seus filhos se tornarem sumo sacerdotes e o título, no momento, pertencia a seu genro, José Caifás, porque ele o concedera”. Mesmo não sendo mais o sumo sacerdote, todos o respeitavam, tamanha a sua influência. Seu cargo era praticamente honorífico.
Além disso, os fariseus sabiam: se Jesus fosse levado à presença de Anás, ele certamente induziria Caifás a condená-lO, já que ambos tinham participação nos lucros das vendas realizadas no templo, uma das atividades mais proeminentes e lucrativas da época. Ter uma banca na sinagoga era como ser proprietário de uma luxuosa loja em um shopping center. Como o sumo sacerdote era o administrador geral, todos os comerciantes deviam-lhe impostos.
Anás queria saber mais sobre a doutrina que o rapaz de Nazaré ensinava ao povo. Mas Jesus respondeu: “Para que perguntas a mim? Pergunte aos que me ouviram...”. E, considerando sua atitude um desrespeito para com a autoridade, um dos oficiais O esbofeteou.
A lei mosaica exigia que a acusação contra os malfeitores fosse feita por, no mínimo, duas testemunhas cujos depoimentos tivessem coerência. Além disso, a lei garantia que um réu jamais seria condenado horas antes de um sábado porque isso lhe impediria de solicitar recurso. Entretanto, mesmo sem nenhuma acusação coesa, o julgamento prosseguiu. Como já era esperado, Anás pediu aos soldados que levassem Jesus à presença de seu genro.
Poucos minutos depois, Jesus já está no palácio de Caifás, onde escribas, anciãos e sacerdotes O aguardavam para um novo interrogatório. Como não havia acusação coerente, o sumo sacerdote, possivelmente avisado da afronta do Mestre a seu sogro e indignado com o episódio da segunda-feira, passa a questioná-lO sobre sua identidade, supostamente messiânica.
Logo, eles O consideram blasfemo por deixar nas entrelinhas a mensagem de que era de fato o Rei dos judeus, um delito constituído no direito romano – lex de maiestate, lei anterior a Júlio César e a Augusto – que punia com morte a traição em relação ao Estado. Ao clarear do dia, agora diante do Sinédrio, Jesus é mais uma vez condenado.
Segundo o teólogo e escritor Josh McDowell, autor da obra As Evidências da Ressurreição de Cristo, havia duas cortes no Sinédrio. Uma composta por 23 membros especializados em julgar casos que envolvessem a pena capital e outra composta por 71 membros, “um tribunal para casos que envolvessem o Chefe do Estado, o sumo sacerdote e quaisquer outras pessoas, por ofensas contra o Estado e o Templo”. McDowell diz ainda que o Sinédrio de 71 membros “podia deixar de julgar um caso que envolvesse a pena de morte, por isso é provável que Jesus tenha sido julgado pela corte menor”.
Como o Sinédrio não tinha poder legal para crucificá-lO, precisou encaminhá-lO a uma corte romana a fim de conseguir a liberação. Chamando a atenção para esse fato, o pastor e teólogo Acyr Raymann, professor da Universidade Luterana de São Leopoldo (RS), declara: “O Sinédrio tinha poder para matar Jesus, porém não por crucificação, mas por apedrejamento, por exemplo. No entanto, os fariseus não queriam assumir esta responsabilidade. Por isso, insistiram na crucificação. Só assim esse fardo estaria sobre as costas do governo romano. Sem querer, eles estavam cumprindo as Escrituras”.
Já era aproximadamente 7 horas da manhã quando o quarto julgamento começou. No pretório da fortaleza Antônia, o centro de comando de Pôncio Pilatos, governador romano da Palestina, outro interrogatório aconteceu. Mas Pilatos, que não encontrara motivos para executá-lO, sabendo que Jesus era galileu, encaminhou-O ao tetrarca romano Herodes Antipas, que tinha jurisdição sobre a Galiléia.
Em outras palavras, a cena poderia ser comparada a um presidente enviando a vítima para que o governador do Estado, onde o réu nascera, tomasse as devidas providências. Pilatos não queria se comprometer. Herodes deve ter ficado feliz com a consideração de Pilatos para com ele. Afinal, esta parecia ser uma atitude de reconhecimento. Entretanto, Jesus se recusa a responder qualquer pergunta de Herodes, e o tetrarca O devolve a Pilatos que, mesmo consciente da inocência de Jesus, a fim de agradar a multidão, ordena seu açoitamento seguido da crucificação, o mais infame e cruel método de tortura do mundo antigo, reservado apenas para escravos, revolucionários e aos piores criminosos. Uma pena cujo sofrimento era considerado pior do que o apedrejamento, fogueira, decapitação e estrangulamento defendidos pela lei judaica.
Foram 3 julgamentos judaicos e 3 romanos. O percurso entre os locais por onde Jesus passou desde o aprisionamento até o pretório chega a 4 quilômetros.