quarta-feira, 12 de agosto de 2009

crueldade com Jesus

A CRUELDADE DO SUPLÍCIO
O açoitamento era uma pena preliminar em todas as execuções romanas. Seu instrumento de martírio era conhecido como flagrum, uma espécie de chicote com cabo de madeira e longas tiras de couro trançado em cujas extremidades eram fixados pedaços de ossos cortantes e bolas de chumbo. A finalidade da repressão era inspirar o medo público e enfraquecer o sujeito pela perda de sangue até paralisá-lo. Somente mulheres, senadores e soldados (exceto os desertores) estavam livres desse flagelo. Na frente do tribunal, era costume amarrar o acusado a um tronco e ali, totalmente despido, dois soldados de cada vez desciam o açoite, começando pelos ombros, depois nas costas, coxas e nádegas, até chegar às pernas.
Segundo o médico e escritor Truman Davis, autor do livro A Crucificação de Jesus, “os açoites primeiro atingem os tecidos subcutâneos, produzindo gotejamento de sangue dos vasos capilares. Em pouco tempo, o sangue arterial das veias dos músculos subjacentes começa a jorrar. As pequenas bolas de chumbo são responsáveis pelas profundas contusões”. Em descrições históricas sobre o suplício, como a que fez Eusébio – um historiador do século 3 – “as veias, músculos, tendões e vísceras da vítima ficam totalmente expostas”.
A lei judaica limitava os açoites em 40 chicotadas. No entanto, os fariseus fundamentalistas, que se orgulhavam de seguir à risca as regras estabelecidas, limitavam os açoites em 40 menos 1, isto é, 39, porque no caso de contarem errado, não chegariam a desobedecer a lei. Mas essa pseudobondade dos fariseus certamente não beneficiou Jesus. Os encarregados do suplício do Mestre eram soldados romanos, e na lei romana não havia limitações para o espancamento do réu. Era o centurião quem determinava o fim do martírio. Ao desamarrar a vítima, permitia-se que ela se deitasse sobre o seu próprio sangue.
Outro costume entre os romanos era o escarnecimento após o flagelo. Como o delito de Jesus havia sido intitular-se Rei, aqueles homens colocaram um manto púrpura sobre seus ombros, simbolizando realeza, e uma coroa com cerca de 70 espinhos que, ao penetrarem o couro cabeludo, provocaram intenso sangramento. Entre gargalhadas, cuspiam em seu rosto e gritavam: “Salve o Rei dos judeus”. Depois disso, Jesus, totalmente dilacerado, é exposto à multidão no pretório – o tribunal romano – e de lá percorre a via sacra rumo à crucificação.
CURIOSIDADE: JESUS MORREU AOS 33 ANOS NO ANO 30 D.C.
Se o calendário cristão começa a contar por ocasião do nascimento de Jesus, como Ele pode ter morrido no ano 30 d.C., se a Bíblia diz que Ele morreu aos 33 anos?
A contagem do tempo até meados de 525 d.C. era uma grande confusão. Existia o calendário Juliano, Gregoriano, Hebreu, Chinês, Muçulmano, entre outros. Para pôr um fim nessa desordem, em 525 d.C., o historiador grego Dionísio, calculando a data de Páscoa, toma o calendário Juliano como base e estabelece o nascimento de Jesus Cristo como sendo o primeiro ano de uma nova era. Os acontecimentos que tivessem ocorrido antes do nascimento de Jesus seriam sinalizados com a sigla a.C.
Apesar de ter sido criado em 525 d.C., somente no século 6 o calendário de Dionísio começa a ser utilizado. No séc. 10, a era cristã é oficializada pela Igreja Católica e a nova medição passou a ser difundida por todo o mundo. No entanto, em meados do séc. 19, quando o calendário já está sendo amplamente utilizado por várias nações, descobre-se que Dionísio cometeu um erro de aproximadamente 4 anos em seus cálculos. Para a historiografia moderna, não há dúvidas de que Jesus nasceu antes da contagem inicial estabelecida por Dionísio, isto é, por volta do ano 4 a.C.

VIA SACRA
O caminho entre o tribunal e o local da execução – uma região montanhosa chamada Gólgota/Calvário, localizada fora dos muros da cidade – era de, no máximo, 650 metros. Nesse percurso, Jesus, agora novamente vestido, carrega o patibulum, isto é, o tronco horizontal da cruz, uma vez que o suporte vertical costumava ficar permanentemente fixado no local.
O peso dessa trave variava entre 34 e 57 quilos – dependendo da cruz, havia vários tipos – e normalmente era colocado sobre os ombros da vítima e atado com tiras. Uma pessoa em situação física normal poderia carregar esse peso sem maiores problemas. No entanto, a debilidade física de Jesus era tão intensa que O impossibilitava de caminhar sem cair. Foram quase 50 minutos de caminhada, arrastando um pé após outro, entre tropeços e empurrões. A cada queda, a trave também caía e lhe esfolava o dorso. Como a exaustão de Cristo excedia os limites, próximo ao Calvário a guarda romana permite que uma outra pessoa O ajude a carregar.
Uma das ponderações comuns sobre a crucificação de Cristo é o questionamento: como o povo judeu pode ter mudado de opinião tão rapidamente de segunda para sexta-feira, já que na segunda reverenciavam-nO e na sexta gritavam “Crucifica-O!”? Nem ao menos os peregrinos que vieram com Jesus podiam defendê-lO?
Maier, autor de Jesus, Verdade ou Mito?, esclarece esse mal-entendido que tem sido a raiz do anti-semitismo, isto é, o ódio aos judeus no mundo. “Naquele tempo as pessoas se deitavam ao pôr do sol e acordavam ao nascer do sol. Convenhamos, Jesus é preso depois de escurecer e é submetido a julgamentos até o amanhecer. É preciso recordar que não havia noticiários noturnos ou plantões de notícia. Portanto, como poderiam saber do que se passava com o Mestre? Na verdade, eles nada souberam até que fosse muito tarde”. E, de fato, de acordo com o depoimento de Lucas, nem todo judeu queria a crucificação de Cristo. Muitos deles ficaram sabendo da execução quando o tumulto passava diante de suas casas. Mas a sentença era irrevogável. O evangelista chega a afirmar que “uma multidão de homens e mulheres judias choravam, enquanto Jesus arrastava sua cruz até o Calvário”.
retrascrevido por pastor charleston scarparo